domingo, 12 de junho de 2011

.:: Anunciação::.


Quando percebo aproximação normalmente me reduzo. Sou sempre escada para o nada, calçada para o que chega ao fim antes de questionarem; e é quando ela aparece com refrão apaixonante que me convenço, e é só ela que deixa um quintal de admiração quando escreve feito anjo em uma manhã sem recado.

Recebo correspondência que não é minha, deduzo as falas como quem antecipa a formalidade, sou frio e babaca longe de mim. Mas com ela não, ela é o sol que não tomo, ela é a distância do mar que me aproxima do que ainda confio.

Meu sol tem nome, tem uma declaração de ansiedade que só se traduz naquela paranóia de se achar inferior ao bem que ela me faz. Meu sol tem um macio febril de primeira música, tem uma confidência que só trato com ela e mais ninguém.

Meu sol nasce de modo artesanal, meu sol tem sotaque puxado, tem um “oxiiii” apaixonante, tem leveza no sorriso, e diga-se de passagem; como não gostar daquele sorriso?!

Levo centenas de frases ao fim do dia, levo meus traumas e demônios pessoais quando me calo, e é só ela quem aparece e transforma meus segundos em alegria descabida. Sou todo euforia e conteúdo quando vejo o ritmo manso de nossa amizade, sou todo areia e pós-graduação de lembranças.

Meu sol tem sotaque puxado e vocabulário próprio. Meu sol é um misto de separação e ciúmes do Nordeste. E é só ela quem ainda costura emoção quando me comporto mal, só ela mantém o otimismo quando tudo é a porra de um ônibus lotado e sonho que não vamos largar.

Ela é o sol que eu gosto; o único que aceito. E se aprendo devagar sobre nossas diferenças, é porque ela guarda o único abraço com calor de pijama recém acordado.

Meu sol no meu mundo nublado, meu calor quando desisto de mim.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Isso tem que ter um nome, um sujeito real. Sensações desse tipo não podem ser arranjadas em palavras assim e jogadas ao vento.
    Que seja mil sorrisos pra vocês.

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