
Não há como definir motivo para qualquer tragédia. Terminar o lado heróico de uma vida de sonhos é o mesmo que tentar esclarecer letra morta. O que gera a separação dos sentidos é o mesmo lado da vergonha que o fracasso estampa quando desenha companhia.
Ontem almocei com meus erros, cada qual tropeçou absoluto em encerrar a cordialidade da sinceridade. Segui o dia avulso em íntimo retrospecto sobre os discursos de um final feliz. Sem cigarros e longe dos degraus da sobriedade fiz de mim uma cela dividida. Em um canto coloquei meus sonhos, no outro, só poesia.
Mais à noite desisti do assunto do dia. Não sou mais notícia que folhetim envergonhado, não ganho mais por desistir e voltar a dormir, não peço retorno quando o momento é mesa para dois; dos meus encantos e de mais meia garrafa de ressaca moral guardo o troco do isolamento social, guardo em potes a desafinação de sempre mentir.
Quando a madrugada chegou, a insônia fez companhia. Ao som de algumas interpretações e música russa discutimos como é emprestar 5 ou 6 minutos até o romance se encerrar. Cansado do rosto distante da incompreensão seguimos viagem pela apatia dos resultados. Sugeri algumas linhas que norteiam a dependência do que é triste.
Já exausto daquele conflito, resolvi dormir em meio ao aluguel que teimo em não pagar. Acordei quando a cidade parou, encarei o teto por alguns minutos antes de levantar. Contei os passos até a cozinha. Coloquei-me à mesa e convidei outros traumas para o café. Enquanto memória, os fracassos abdicavam a manhã vazia, enquanto presença, nossos diálogos parecem não cessar.
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