A verdade é que não sei fazer falta aos comentários do pessoal trabalho. Aliás, nem tenho um. Entorto a frase toda vez que sou lembrado por email do tanto de “nada” que faço o dia todo. Uso com freqüência o diploma da faculdade como calço de mesa ou porta-copo de cerveja. Pela manhã eu bebo ou durmo; à tarde eu volto a dormir ou bebo ainda mais.
Completo com freqüência palavras-cruzadas do jornal de ontem, isso já entortando a cabeça procurando as respostas no canto da página. Leio os quadrinhos e reparo na vida social que não tenho. Durante à madrugada discuto com os pastores da televisão que insistem que meu caso é problema de encosto.
Não sei nem a metade do que esqueço de comprar quando vou ao supermercado; lembro dos cigarros e do Cheetos, o resto fica pro ano que vem. O dinheiro anda curto pra cerveja, então o jeito é vodka vagabunda ou cachaça de pedreiro.
A vida não saiu exatamente como eu tinha planejado. Ainda não comprei um iate, não viajei pelo mundo, nem pilotei um caça. Eu no muito aprendi a amassar lata de cerveja na testa, fazer miojo sem sal e a famosa arte perder minhas havaianas pela casa. A vida não saiu exatamente como eu tinha planejado; “fui bem sucedido em tudo, menos na vida”
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