domingo, 4 de setembro de 2011

.:: Loser ::.


Banco de reservas não sofre com a admiração da plateia. Reserva nunca fica junto ao título ou ao começo das despedidas. No máximo arqueamos a sobrancelha e esperamos um diálogo que reate toda aquela indiferença.

Não vejo começo no que não deixou esperança. Um mínimo de sensibilidade sempre salvou a rua dos vencedores. Não converso comigo; permaneço reserva enquanto os titulares cuidam da admiração sobre discutir memórias quebradas.

Ser reserva vai bem mais além da lista de pokemons que eu decorei. Ser reserva é conversar com o msn vazio; é discutir sobre qual cavaleiro dos zodíaco se encaixaria melhor em um blockubuster que ninguém vai ver.

Todo reserva carrega os tropeços durante o recreio. Todo reserva perde os dentes quando descobre que não vai ser escolhido. Todo reserva esconde o sorriso quando acorda cedo por conta do domingo fracassado. Cada reserva sabe do chute no rabo que tomou quando tentou falar; cada reserva espera a chuva chegar na esperança de trocar de passado.

O reserva nunca entende quando o ano acabou; no máximo cobra da tia da cantina um espaço entre as cicatrizes que colecionou. Todo reserva já foi Superman, já matou metade do mundo pra chamar atenção, já terminou o livro de matemática na esperança de que ela prestasse atenção.

Nem mesmo o próprio Darth Vader seria ameaça, pois todo reserva sempre salva a menina que ama. Todo reserva reinventa sua história algumas centenas de vezes e não pede “Continue”. Cada reserva supera os joelhos ralados; cada reserva jura lealdade ao cartão da biblioteca e aos episódios de Dragon Ball Z que precisa assistir.

Todo reserva fica do lado de fora da vida. Cada reserva sabe do sorriso que perdeu; todo reserva admira o final de ano que não compareceu.





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