quarta-feira, 14 de setembro de 2011

.:: Sempre ali ::.


Sofro de síndrome de final de fila. Sofro de uma inclinação precoce por tv à cabo fora do ar. Chego antes das 6, volto depois do passeio pela casa vazia. Deus agora é um discurso que não soube quando parar.

Tanto dedo na cara não desenferrujou meu nariz torto. Depois da 4º série isso perdeu a graça; Deus ficou tão distante quanto qualquer passaporte pra Disney.

Conto com mais uma semana de sobriedade e nada do que prometeram mudou. Antes eu vomitava a admiração dos meus apelidos. Agora, completamente limpo, sofro com a crítica do espelho.

Na tentativa de ignorar meus vícios os cigarros sofrem dobrado. Enquanto levo o lixo para fora praguejo o mês pelo desvio. Frequentei esperanças até o ano passado. De lá pra cá perdi as contas de quantas vezes dormi abraçado ao pneu do carro de tão bêbado que estava.

Voltei pra casa com o olho roxo, o nariz sangrando e os joelhos doídos. Sóbrio como todo aspirante à babaca deve ser. Avulso como qualquer zumbi de clínica que se anula.

A beleza de qualquer balada não substitui defeito de fábrica. Minha sobriedade sempre foi véspera de gritaria represada. Reabilitação não me faz melhor, só esconde uma verdade que não sabe dialogar.

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