
Coleciono alguns arrependimentos na vida. Um deles foi ter tirado meu título de eleitor, outro, por exemplo, foi ter tentando reabilitação umas 4 ou 5 vezes. Mas o pior desses arrependimentos foi sem sombra de dúvida ter me formado em Direito.
Meu desemprego deixa uma possibilidade alegre de ampliar minhas derrotas. O terno que eu comprei lá pelo 7º período de faculdade só serviu para ser usado em dois batismos e um casamento; eventos os quais nem mesmo fui.
Aposentei minhas gravatas antes mesmo da estreia. Desconversei qualquer consultoria jurídica por falta de dentes. Direito é agora uma burrice que tatuei na testa.
Contabilizo uma semana sóbrio e uns 14 meses de preocupação. Partindo das coisas que desisti e de umas contas que não paguei fica a sensação de ser um perdedor desde o começo. Outro dia reclamava porque não conseguia encontrar a porra do controle remoto da tv, hoje já começo a me questionar sobre o seguro-desemprego que não tenho.
Sobrevivi a 5 nos de curso na vã esperança de crescer um pouco, de parecer um pouco mais sério ou diminuir meus anos de adolescência. Isso tudo para no final das contas me flagrar lendo quadrinhos ou assistindo desenho pela manhã.
Não levo jeito para a advocacia, tenho a letra miúda, a caligrafia emendada. Nenhuma petição aceitaria o timbre de linhas encostadas e tímidas. Nenhum protocolo aceitaria emoticon sorridente no papel ou vírgula disfarçada de mancha de café. Manoel de Barros tinha razão:
“Não conseguiria ter sido advogado. Não conseguiria defender meus clientes, sequer sei me defender.”
Pois é... ai é complicado... os dias passam =/
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